24 fevereiro, 2010

«Quando a vida morre, a morte nasce e começa a viver, isto é como o jogo de dominó, (...) a vida da morte dura até que morra de velho e de fome o último verme do morto.»
Camilo José Cela in "Mazurca para dois mortos".

20 fevereiro, 2010

Continuando a procrastinar Dostoievski...
Finalmente terminei o "mazurca", na verdade já foi há algum tempo. Estou numa de procrastinação generalizada. Cá fica então o comentário (para quem já o aguarda, impacientemente!).
Um estilo muito peculiar de escrita, onde os diálogos e a narrativa se misturam num passado e num presente, que inicialmente pode ser confuso não só pela forma pouco vulgar como as cenas vão sendo contadas como pela existência de muitas personagens e respectivos nomes e alcunhas em espanhol, claro está. Estas circulam num ambiente situado por altura da guerra civil espanhola e são cheias de características fantásticas como preconceitos atávicos, superstições e promiscuidades.
Contudo, tudo isto é suplantado pela beleza como Cela transforma cenas de grande rudeza e perversão em algo que soa a doce e a cómico.
Parece incrível que o nobel da nossa vizinha Espanha seja tão pouco conhecido entre nós, ao ponto de não existirem exemplares da sua (vasta) obra em stock nas livrarias mais afamadas, sendo necessário encomendar o livro directamente na editora.
Obrigada Eric, por me apresentares este talento verbal.

27 janeiro, 2010

Um dia torno-me super-mulher

mas só quando me apetecer vestir as cuecas por cima dos collants, prender um lençol ao pescoço, enfiar a touca da natação pela cabeça abaixo, pegar no meu atestado de sanidade mental, e por fim sair de casa para me misturar com os comuns cidadãos, enfrentando adamastónicos perigos, tais como: calçada portuguesa minada ...de bosta canina, septuagenários em modo marcha lenta pelo meio da dita calçada impedindo a ultrapassagem por qualquer um dos lados, ou então, um par de septuagenários em modo marcha lenta que teima manter-se de braço dado, mesmo quando há obstáculos na dita calçada e insistindo passar, ao mesmo tempo que uma terceira pessoa, por um espaço onde teoricamente apenas caberiam 2 pessoas de porte bastante elegante!! dias assim só mesmo sendo um SUPER-qualquer e VOAR...VOAR...

20 janeiro, 2010

sobre a mesa-de-cabeceira: Mazurca para dois mortos - C. J. Cela

Vou estrear-me no mundo de C. J. Cela com este Mazurca para dois mortos (oferta do amigo Eric).
Em breve contarei como foi o baptismo...

09 dezembro, 2009

sobre a mesa-de-cabeceira: Firmin - Sam Savage

História de fácil leitura, muito original e com notas de humor e sarcasmo, narrada pelo personagem principal o pequeno e frágil Firmin - ratazana que bem podia ser um humano (ele às vezes pensa que é um humano).

02 dezembro, 2009

só(l) com dó
compasso tomado no pulso
enquanto a chuva lambe sem pressa a janela.
hoje voltei a senti-las
traças armadilhadas no estômago
asas atormentadas que desejam sair,
queria eu!
ao canto, observo.
o ar rarefaz.
de costas coladas ao mármore frio
espero
estremeço de dentro para fora
começo a suar
sabe a sal
aquela música de novo
sabe a dor
aquele silêncio de sempre
sabe a nada.

16 novembro, 2009

sobre a mesa-de-cabeceira: Caim - José Saramago

Narrativa perspicaz, irónica e com um bom travo de humor que culmina num final genial. Ou seja, com a aceitação da existência simultânea de Deus e do homem como resultado da evolução das espécies - como que a agradar gregos e troianos.
Por outro lado, poderá ser visto como uma sátira, onde o Deus grande e todo poderoso cujos desígnios são inescrutáveis aniquilou o homem, feito à sua imagem e semelhança, por ser uma má obra (é Deus também uma má obra?) tendo este que retomar ao mundo através dos animais.