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15 março, 2010

sobre a mesa-de-cabeceira: Os Cus de Judas - A. Lobo Antunes

Admitindo a minha ignorância, confesso que desconhecia o tema do livro quando o comprei. Compra esta, apenas motivada pelo fascínio que o título me oferecia sempre que o via numa livraria e me atraía como um íman. Os Cus de Judas. Estava longe de imaginar que fossem os locais por onde a guerra andou em tempos de colonialismo, contudo em nada me fizeram arrepender de os ter tido "sobre a mesa-de-cabeceira".
Também nunca tinha lido Lobo Antunes. Minto. Por vezes leio as crónicas que escreve para a Visão.
Aparentemente um caos, é uma prosa altamente poética, repleta de flashes de Polaroid que nos encandeiam e despertam as mais variadas emoções.

"gostava (...) de lhe oferece o meu retrato em coração de esmalte para você usar quando for gorda, porque será gorda um dia, descanse, todos nós seremos gordos, gordos, gordos como gatos capados à espera da morte nas matinées de Odéon"
"ouvir nascer a própria barba nos serões vazios"
"iniciei a dolorosa aprendizagem da agonia"
"branco sopinha de massa cujo esforço para falar o torcia de caretas de defecação (...) as bochechas possuiam qualquer coisa de anal e o nariz se aparentava a inchaço incómodo de hemorróida."
"puxando um cobertor de terra por sobre o sangue dos cadáveres"
"galinhas, pássaros imperfeitos reduzidos a um destino de churrasco"
"dentro do útero da minha mulher uma criança prestes a nascer socava às cegas as grades de carne da sua prisão"
"escute-me como eu escutava o rápido latir aflito do meu sangue nas têmporas"
"Perguntei [ao capitão] onde é que você vai? (...) - Pendurar os tomates na arrecadação, doutor, se quiser dê-me também os seus que já não precisamos dos gajos para continuar aqui."
"Não sucede o mesmo consigo? Nunca teve vontade de se vomitar a si própria?"
"os lábios rodeavam-se de pregas concêntricas de ânus"
"petromax (...) contra o qual os insectos se desfazem num ruidozinho quitinoso de torresmos"

"os soldados julgavam-me capaz de os acompanhar e de lutar por eles, de me unir ao seu ingénuo ódio contra os senhores de Lisboa que disparavam sobre nós balas envenenadas dos seus discurso patrióticos"


20 janeiro, 2010

sobre a mesa-de-cabeceira: Mazurca para dois mortos - C. J. Cela

Vou estrear-me no mundo de C. J. Cela com este Mazurca para dois mortos (oferta do amigo Eric).
Em breve contarei como foi o baptismo...

09 dezembro, 2009

sobre a mesa-de-cabeceira: Firmin - Sam Savage

História de fácil leitura, muito original e com notas de humor e sarcasmo, narrada pelo personagem principal o pequeno e frágil Firmin - ratazana que bem podia ser um humano (ele às vezes pensa que é um humano).

16 novembro, 2009

sobre a mesa-de-cabeceira: Caim - José Saramago

Narrativa perspicaz, irónica e com um bom travo de humor que culmina num final genial. Ou seja, com a aceitação da existência simultânea de Deus e do homem como resultado da evolução das espécies - como que a agradar gregos e troianos.
Por outro lado, poderá ser visto como uma sátira, onde o Deus grande e todo poderoso cujos desígnios são inescrutáveis aniquilou o homem, feito à sua imagem e semelhança, por ser uma má obra (é Deus também uma má obra?) tendo este que retomar ao mundo através dos animais.

27 maio, 2009

sobre a mesa-de-cabeceira: Lixo - Irvine Welsh

Lixo. Pode ser muita coisa. Neste caso, apenas é aqui referido por se tratar do nome do livro que acabei de ler recentemente, cujo autor é Irvine Welsh. sim, aquele que escreveu o "trainspotting".
É um livro tão perverso e ordinário que acaba por se tornar cómico! Um fartote!
Podem-se concontrar pérolas como:

  • «(...) não vai demorar muito a voltar. Ela sabe muito bem de que lado do pão está a manteiga.»

  • «(...) não te rales com a lareira quando estás a espevitar o fogo, é esse o meu lema.»
  • «(...) uns montes de rugas, pés de galinha, pescoços engelhados e banhas, mas foda-se, carneiro ou cordeiro é tudo carne (...)»
Este blog faz uma descrição muito boa do livro:
nlivros. blogspot.com/2008/04/lixo-irvine-welsh.html