27 janeiro, 2010

Um dia torno-me super-mulher

mas só quando me apetecer vestir as cuecas por cima dos collants, prender um lençol ao pescoço, enfiar a touca da natação pela cabeça abaixo, pegar no meu atestado de sanidade mental, e por fim sair de casa para me misturar com os comuns cidadãos, enfrentando adamastónicos perigos, tais como: calçada portuguesa minada ...de bosta canina, septuagenários em modo marcha lenta pelo meio da dita calçada impedindo a ultrapassagem por qualquer um dos lados, ou então, um par de septuagenários em modo marcha lenta que teima manter-se de braço dado, mesmo quando há obstáculos na dita calçada e insistindo passar, ao mesmo tempo que uma terceira pessoa, por um espaço onde teoricamente apenas caberiam 2 pessoas de porte bastante elegante!! dias assim só mesmo sendo um SUPER-qualquer e VOAR...VOAR...

20 janeiro, 2010

sobre a mesa-de-cabeceira: Mazurca para dois mortos - C. J. Cela

Vou estrear-me no mundo de C. J. Cela com este Mazurca para dois mortos (oferta do amigo Eric).
Em breve contarei como foi o baptismo...

09 dezembro, 2009

sobre a mesa-de-cabeceira: Firmin - Sam Savage

História de fácil leitura, muito original e com notas de humor e sarcasmo, narrada pelo personagem principal o pequeno e frágil Firmin - ratazana que bem podia ser um humano (ele às vezes pensa que é um humano).

02 dezembro, 2009

só(l) com dó
compasso tomado no pulso
enquanto a chuva lambe sem pressa a janela.
hoje voltei a senti-las
traças armadilhadas no estômago
asas atormentadas que desejam sair,
queria eu!
ao canto, observo.
o ar rarefaz.
de costas coladas ao mármore frio
espero
estremeço de dentro para fora
começo a suar
sabe a sal
aquela música de novo
sabe a dor
aquele silêncio de sempre
sabe a nada.

16 novembro, 2009

sobre a mesa-de-cabeceira: Caim - José Saramago

Narrativa perspicaz, irónica e com um bom travo de humor que culmina num final genial. Ou seja, com a aceitação da existência simultânea de Deus e do homem como resultado da evolução das espécies - como que a agradar gregos e troianos.
Por outro lado, poderá ser visto como uma sátira, onde o Deus grande e todo poderoso cujos desígnios são inescrutáveis aniquilou o homem, feito à sua imagem e semelhança, por ser uma má obra (é Deus também uma má obra?) tendo este que retomar ao mundo através dos animais.

29 setembro, 2009

No teu cabelo toco ao de leve com a ponta do pensamento.
Vejo-te enrolada na manta de xadrez azul, aquela que nunca me deixas usar por teres medo que me conte um dos teus segredos, ou então, que bem espremida solte alguma das tuas lágrimas.
Aí te tenho na cama de rede, que ambos montámos naquele fim de tarde de primavera, embalada por um chopin que já deixou de tocar no gira-discos que trouxeste de casa do teu pai.
Velo-te daqui, meu amor, bem longe.

16 julho, 2009

é pá!

À entrada do metro levei com todo o peso de um puto de +/- 5 anos sobre os dedos do meu pé direito. não que ele fosse muito pesado, eu é que estava de chinelos e, diga-se, não foi aprazível, além de ter ficado com o pé todo sujo.
Que o miúdo não pedisse desculpa, não me admiro, dou-lhe o desconto de ser uma criança (mas não diz o povo que de pequenino é que se troce o pepino?). Mas agora a mãe?! Não só não chamou a atenção do filho para o que tinha feito, não o corrigindo, como nem sequer me disse nada! ainda por cima no resto do caminho, além de acautelar os pés (ai não!), tive que ouvir o típico "segura-te se não cais!" (não deveria ser ela a segurar o puto pela mão?).
Como não tenho filhos e não sei se os virei a ter, são dúvidas que não encontram resposta... de respondidas que já estão.
De qualquer forma relembro: as crianças de hoje serão os adultos de amanhã. obrigada pela (des)educação que lhes dão!